quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Trailer: Ruído Branco x TÁR


Prestes a estrear no Festival de Veneza no dia 31, a Netflix divulgou o primeiro teaser trailer de Ruído Branco. O novo filme com direção de Noah Baumbach (História de Um Casamento), baseado no grande livro do Don DeLillo. No meio do ano o havia lido e já estava bem empolgado para ver como seria uma adaptação cinematográfica dele, que possui um texto e personagens tão particularmente excêntricos, e surpreso que aqueles que não seriam minha primeira escolha, Adam Driver e Greta Gerwig parecem bem personificados como Jack e Babette, o casal paronóico por ter que enfrentar um dia a morte. Ainda sem data.


E a Focus Features também lançando trailer de um dos competidores este ano em Veneza, TÁR que marca o retorno de Todd Field (Pecados Íntimos, 2006) no cinema. E fiquei extremamente surpreso pelo que ele parece propor com a Cate Blanchett aqui, na pele de uma compositora alemã. Com uma aura de GRANDE FILME, as sequências de imagem da tensão física da atriz junto ao que parece uma sessão de fotografias é hipnotizante. Em 7 de Outubro chegando aos cinemas (mas não aqui no Brasil, claro).

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

A Órfã: A Origem (2022)

É difícil para mim assimilar como já se passou tanto tempo desde que o espanhol Jaume Collet-Serra nos entregou A Órfã (Orphan, 2009), o suspense que me gelou a espinha quando exibido dois anos mais tarde na programação do SBT. Baseado numa macabra história real, que deu o status instantâneo de novo ícone do terror para Esther (Isabelle Fuhrman), a garotinha de aparência inocente que revelava não ser uma simples garotinha, para o desespero da família da Vera Farmiga. A cogitação de uma sequência sempre esteve no boca a boca do público, ansioso por ver mais da personagem, mesmo que o criador de argumento da personagem, Alex Mace houvesse dado um ponto final para ela no grande clímax. Mas a história da mulher adulta presa no corpo de criança era certamente difícil de ser esquecida, e continuou a ressoar como uma lenda urbana no imaginário popular, até que enfim a Dark Castle junto a eOn dois anos atrás tiveram uma ideia nova, após serem contatados por Isabelle Fuhrman e anunciaram a sequência, que não seria bem uma sequência... Mas sim um prequel que acompanha a residência anterior da assassina, antes dos eventos em 2009, com Fuhrman retornando como protagonista. Onze anos atrasados, e com a distribuição da Paramount, Esther está entre nós novamente.

Situado no ano de 2007, a ação tem início no The Saarne Institute localizado em algum lugar da Estônia, a partir da chegada de Anna (Gwendolyn Collins), uma funcionária da Assistência Social com um propósito não muito claro na instituição, o Asilo de internamento para pacientes com problemas mentais, aonde encontra Leena, a verdadeira (?) identidade da mulher-criança. Não demora muito para ela arquitetar a fuga, como Michael Myers fugindo da ala psiquiatra, e de forma violenta manipulando um guarda pedófilo deixa o Instituto e escapa para longe graças a oportunidade que enxergou com a chegada da mulher. Mais tarde ela é encontrada por um agente de Polícia e assume a identidade de Esther Albright, uma garotinha desaparecida que descobriu no sistema de crianças desaparecidas, que compartilha similaridade com ela. E é assim que parte para a região de Connecticut nos Estados Unidos, para se encontrar com a influente família Albright, formada por Tricia (Julia Stiles), o marido Allen (Rossif Sutherland) e o filho mais velho, Gunnar (Matthew Finlan).


O roteiro de David Coggeshall (de Evocando Espíritos 2, curiosamente também ambientado em Connecticut), reutiliza a estrutura vista no primeiro longa, com o telespectador testemunhando passo a passo as mesmas ações da vilã com a nova família, com a iminente tragédia à espreita. O grande dilema ao se realizar um prequel é: como estabelecer a ameaça quando já a conhecemos? Pois há surpresas à frente. O diretor William Brent Bell (colecionador de péssimos filmes como Boneco do Mal 2), primeiramente utiliza a personagem como uma carniceira extremamente manipulativa, talvez para tentar fazer jus à fama conquistada, a colocando para agir e matar inescrupulosamente, para então com a família, mudar a dinâmica revelando que ela não é mais a maior ameaça presente nesta sequência. Depois de tantas facilitações narrativas, chegando ao exagero nas ações da personagem (e voltando a citar o mascarado de Halloween, há até mesmo um momento absurdo que a coloca sob o volante de um carro), essa mudança brusca consegue trazer um ar divertido, e é o que o diferencia do filme anterior. Sem entrar em maiores detalhes, a perspectiva muda e a nossa aflição está em ver como a assassina se livrará de sua nova vida.

Para um filme intitulado como A Origem, ou First Kill (a primeira matança), na realidade não há uma verdadeira expansão na mitologia por trás de Esther, continuaremos a não saber sobre o seu nascimento e infância, e sequer retratam o seu primeiro homicídio. Os eventos mostrados aqui, principalmente com a interação familiar existem para explicar as habilidades demonstradas pela personagem nos futuros acontecimentos com os Coleman. Gunnar é praticante de esgrima e Allen, o homem que rapidamente conquista a afeição da falsa filha é um pintor, que a ensina sobre a técnica da reflectografia de infravermelho. Tricia é uma figura materna de mente calculista e imponente, com uma boa composição de Stiles, quase chegando a altura da força que representa Esther. Há um contratempo com a intromissão do detetive Donnan (Hiro Kanagawa), que até cumpre alguma função. Isabelle Fuhrman volta a preencher o icônico papel com vividez, ainda que tirem parte de sua força assustadora. A violência vem em boas doses, ainda que poucos confrontos físicos ganhem melhor aproveitamento cênico. O responsável pela cinematografia é ninguém menos que Karim Hussain, o diretor de Subsconscious Cruelty (2000), e que recentemente fez um belo trabalho na fotografia de Possessor (2020). E falando sobre a grande questão, sobre como conseguiram voltar com a atriz adulta no papel de criança, driblando o grande uso de CGI com técnicas de maquiagem e ângulos de câmera, seu rosto causa muita estranheza inicialmente. Quem estiver afim de criticar a produção, fará a festa. É preciso também mencionar a importância da participação da dublê, Kennedy Irwin, de 11 anos.

A Órfã: A Origem termina por não acrescentar muito ao que já se sabia anteriormente, e pouco se equipará ao impacto do primeiro exemplar, apesar das voltas criativas. E preciso afirmar como é até um pouco surpreendente como William Brent Bell não fez disso um desastre total, ainda que o argumento sofra de diversos equívocos e problemas. Para quem gosta de falar sobre tais "furos de roteiro", terá assunto de sobra, ao contrário daqueles que forem mais descompromissadamente conferi-lo para prestigiar a graciosidade perigosa de Fuhrman. Pode ser resumido essencialmente como uma tragédia romântica, uma jornada sobre a desilusão da personagem, que a tornou cruel e implacável até encontrar os Coleman. O caminhar por entre as chamas em sua parte derradeira, é o ápice desse apelo plástico, que clama por a imortalizar na cultura pop, e que por esse breve momento cumpre perfeitamente sua função.


O filme deve chegar em Setembro nos cinemas nacionais, mas se pode conferir A Órfã: A Origem com legenda provisória aqui. Ou aqui.

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Glorious (2022)

Filmes que tiram proveito da encenação em um único local tem um espaço especial no coração do público, indo do estrondoso Cães de Aluguel (1992), ao popular Jogos Mortais (2004), ao menos badalados mas com algum status cult como Espinhos (2008). Produções pequenas e independentes que cativam pela inventividade e capacidade em saber como concentrar a narrativa em determinado local. O novo exemplar dessa linha de gênero, Glorious é uma produção estadunidense pequena como os citados, exibido com sucesso no Fantasia Film Festival, o que atraiu o interesse da plataforma de streaming, Shudder em adquiri-lo, tendo sido lançado ontem (17/08).


A premissa certamente chama atenção de cara: um homem preso em um banheiro com uma criatura mitológica que se comunica através do buraco de um dos compartimentos. O azarado da vez é Wes (Ryan Kwanten), que vemos caminhar nervoso de um lado para o outro num estacionamento à beira da estrada, evidentemente desnorteado por causa da aparente separação da sua companheira, Brenda (Sylvia Grace Crim). Tendo como única companhia um ursinho de pelúcia no carro e a canção "Wait' Till the Sun Shines" do grupo The Bell Sisters & Bing Crosby, o homem entra em estado de surto, mais tarde quando acorda com o estômago enjoado parte para o banheiro do local, e não sai mais. Uma voz (a de ninguém menos que J.K. Simmons) então o acompanha na cabine do lado, através de um buraco acompanhado por um desenho obsceno com vários olhos na madeira, apresentando um tom amigável mas que não demora a se demonstrar uma presença estranha e perigosa conforme vai revelando sua identidade e intenções. A ilustração não está lá apenas para indicar uma piada de mal gosto, mas determinar quem é que habita aquele ambiente.


A partir daí não se pode revelar mais detalhes. O que há de mais surpreendente em Glorious, é como Rebekah McKendry soube sustentar o argumento na direção. Adentrando o universo fantasioso do horror cósmico fortemente estabelecido pela influência na literatura de H.P. Lovecraft, ela trabalha uma dinâmica que parece que não vai conseguir se alavancar de início, muito pela limitação de orçamento, mas que com a presença da voz de Simmons ganha outra forma, sendo envolvente ao fisgar o telespectador para saber que rumo essa trama absurda tomará. Há poucos contratempos com personagens adicionais para afetar a interação dos dois personagens em seus quase 80 minutos, o que o deixa mais objetivo, embora possua um twist que soa excessivo e desagradável envolvendo o conflito amoroso, que é um elemento bastante determinante ecoando uma força central para o protagonista. Há um bom uso de efeitos em CGI e a utilização de efeitos de animação, embora nem fosse muito necessário dá forma completa a sua grande ameaça, e essa estética neon/roxa já esteja se tornando saturada no uso do retratamento do universo psicodélico e Lovecraftiano, vide as produções da SpectreVision. O trabalho de câmera não chega a ser tão criativo mas é pela comando do fio narrativo que se sobressai, reservando momentos de insanidade no auge da exaustão psicológica em que se encontra Wes, até culminar na profusão de violência e sangue, além do flerte com o humor e as piadas inevitavelmente penianas (!).


Em última instância é uma curiosa e niilista análise das forças existenciais predatórias que dá um tom pessimista que fecha bem o longa, em harmonia com o confronto com a natureza humana que o universo do Lovecraft propõe, pois afinal sempre foi pela limitação da capacidade humana de lidar com o desconhecido que se dava início o horror. O olhar feminino sobre a masculinidade nociva presente nisso também pode ser apontado, ainda que não seja tão assumido a ter um viés feminista ou mesmo queer, como esperado inicialmente pela alusão a prática do Glory Hole. No mais, é uma boa surpresa sendo curto e bem executado, bem defendido pela performance dramática de Kwanten, que desde que ganhou as telas ao estrelar Gritos Mortais (2007), de James Wan demorou a retornar ao gênero, ou mesmo fazer uma nova boa produção. E por mencionar Wan, é possível afirmar que há certa inspiração no seu mais famoso trabalho lá em 2004, pelo objetivo num todo do que é ditado pela criatura que Simmons dubla.

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Gone in the Night (2022)

Winona Ryder dispensa apresentações como um dos grandes nomes do cinema estadunidense durante as décadas de 80 e 90, e como todos sabemos a perdemos assim que o novo século iniciou. Antes de reaparecer brilhando em Stranger Things teve um breve êxito em Cisne Negro (2010), o que parecia o início do seu grande retorno às telonas. Mas não foi. E temo a dizer que Gone in the Night, da BoulderLight Pictures (envolvida na nova versão de Chamas da Vingança), é mais uma tentativa ruim de tentar tornar ela uma grande estrela de thrillers psicológicos, assim como A Carta (2012). 


Com direção de Eli Horowitz, que é responsável pelo roteiro ao lado de Matthew Derby, Gone in the Night tem uma narrativa fragmentada em eventos que se interligam em presente e passado, repleto de pequenas reviravoltas que tentam surpreender o telespectador. O filme a companha na pele da bióloga quarentona Kath, que junto do namorado, Max (John Gallagher Jr.) parte para um fim de semana numa residência alugada no meio do nada. E se tiramos alguma lição das histórias de terror, é que isso nunca acabou bem. Lá eles descobrem que o lugar tem outros hóspedes, sendo estranhamente recepcionados por Al (Owen Teague) e Greta (Brianne Tju), uma mulher voluptuosa de pose misteriosa que atrai pouco a pouco a atenção de Max, que ao invés de pegar o carro e fugir imediatamente com a amada, decide ficar e passar a noite com os estranhos. E como se isso fosse um livro do Harlan Coben, o cara desaparece junto da jovem mulher sem deixar rastros nos dias seguintes, com Kath aceitando calmamente a justificativa de que os dois se tornaram amantes da noite pro dia e fugiram juntos. E tenta seguir em frente nas próximas semanas, mesmo que instintivamente queira reencontrar com o (ex) namorado para pôr um ponto final definitivo.

Kath pode ser uma mulher esperta mas esse é apenas o começo de uma sucessão de erros, enquanto entra na gama de armadilhas dos estranhos. Quando começa a se mobilizar para saber sobre o local alugado, conhece o proprietário, Barlow (Dermot Mulroney) e tem uma espécie de flerte com ele. Há química no ar entre os dois atores, mas não é difícil supor o papel que o personagem vêm a assumir depois. O roteiro tem ao menos um elemento surpresa, que justifica a contextualização do interesse em biomedicina, filosofia existencialista e ciência dos personagens, mas dentro de todo o esquema cheio de facilitações absurdas acaba sendo enfraquecido demais. Lembram da Gillian Flynn? A autora por trás das obras adaptadas em Garota Exemplar (2014), Lugares Escuros (2015) e Objetos Cortantes (2018)? Horowitz e Derby mais parecem quererem se bancar como novos espertões dessa linha de thrillers inventivos. E mesmo com umas adições novas dentro do gênero, falharam miseravelmente. Todo o trabalho de direção de arte e fotografia contribuem para a identidade como suspense genérico. A face de Ryder é excessivamente explorada nos close-ups, querendo extrair uma expressividade maior. Talvez fosse melhor transformar isso num livro primeiro.

Petite Nature (2021)

Começando por uma constatação de um dos maiores tabus da humanidade: sexualidade infantil não é assunto de adulto, ou de qualquer pessoa. Mas eis que a falta de categorização no campo científico e filosófico também não contribui para nos dar alguma luz sobre a jornada de descoberta sexual que temos, que quer negue ou não, há impulsos e percepções que vivenciamos desde pequenos. Colocar isso como tema para discutir abertamente na educação virou um verdadeiro cabo de guerra, como sabemos em nossa política. E por isso ter um filme como esse exemplar francês, Petite Nature/Softie de um realizador que pretende abordar de uma forma tão liberta esse universo é certamente desafiador para o público. Desconfortável e que pode ser visto até como contraditório em suas intenções. Mas calma, não estamos falando de uma nova versão de Cuties (2020). Quando falo de sexualidade, não se trata do ato carnal em si, mas todo o processo de se entender no despertar das emoções pelo outro.


Com passagem na Mostra da Semana Internacional da Crítica no Festival de Cannes ano passado, Petite Nature é centrado em Johnny (Aliocha Reinert), um garoto de dez anos que começa o filme bolando o baseado do último parceiro da sua mãe, Sonia (Melissa Onessa) que está levando ele e as crianças embora. Ele tem um irmão mais velho, mas toda a responsabilidade pela casa cai em seus ombros, como cuidar da irmã mais nova em todo seu tempo livre. O estilo de vida bagunçada com os parceiros, que chega até mesmo a flagrar relações sexuais, gera uma relação conflituosa com a mãe que trabalha numa lanchonete. Com um lar novo vem a escola nova, aonde conhece Jean (Antoine Reinartz), o novo professor de sua turma, que de cara conquista a afeição do menino, por lhe dar voz na sala de aula ao falar de perspectiva de vida. O homem parece um pai ideal, ou indo mais além, ele é como um homem dos sonhos... o que leva Johnny a querer se aproximar mais e mais. A conotação romântica obviamente não é recíproca, e é construída pouco a pouco pela perspectiva do menino, a ponto de temermos ver até onde ele vai chegar pra conseguir se tornar íntimo. A namorada do professor, uma fotógrafa, Nora (Izïa Higelin) também surge na dinâmica, com um interesse em estimular o potencial futuro dele. Numa ida à um museu proposto por ela, vemos um trecho de A Flauta Mágica (1975) do Ingmar Bergman que o deixa encantado.


O diretor, Samuel Theis (premiado em 2014 no Cannes por Party Girl) é bem cuidadoso em estabelecer esse meio em que ele se insere, como na teoria de cognição de Piaget que dita a fase de maturação da criança, que depende do meio em que ele vive para determinar como ele vai se desenvolver. O pequeno protagonista quer mudança, não aguenta mais o modo caótico da família e enxerga de forma esperançosa a possibilidade de conseguir afeto. Ainda assim a direção não escapa do intenção dúbia como decidir expor a criança em uma posição sexual, e o rumo dessa trama da obsessão romântica, algo que seria mais verossímil caso o personagem fosse uns dois ou quatro anos mais velho. O dinamarquês A Caça (2012) é um que dez anos depois continua a render debates sobre esse tipo de consciência demonstrada em um personagem de idade tão precoce.


Mas mesmo que fiquemos tensos na cadeira vendo Petite Nature, Theis não optar por seguir os avanços de Johnny no homem como um thriller para vilanizá-lo, e termina sendo um bom filme que capta as nuances dessa fase de transformações emocionais e mentais. Mesmo que muita da audácia temática parece diluída em seu desfecho, lembrando trabalhos da A24, como Projeto Flórida (2017), pela estética e o trabalho de câmera, ou por usar a faixa "Child in Time" do Deep Purple numa típica sequência musical. Sem abrir mão da complexidade ao lidar com os fatores diretos e indiretos, que deixam o público a continuar pensando após o fim da sessão. Detalhe que o elenco é de estreantes no cinema, o que faz de Eliocha Reinert uma verdadeira grande revelação, assim como Melissa Onessa. 

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Poser (2021)


Com passagem por diversos festivais de Estados americanos, Poser realizado pela dupla Ori Segev e Noah Dixon é uma produção independente do estúdio Loose Films, que se insere no atual cenário de música underground em Columbus e reúne alguns artistas profissionais dessa cena. Começa em passos lentos como um drama, tal como sua protagonista, Lennon Gates (Sylvie Mix), mas conforme avança converge drasticamente com o thriller.


Dividido em 8 capítulos, Lennon nos é apresentada como uma mulher introvertida na faixa dos 20 anos, com visual descolado, um emprego num restaurante e atitudes reclusas. Na abertura faz uma gravação sem autorização numa galeria de arte, e afirma estar começando um podcast, mas com isso mais parece estar acumulando uma coleção pessoal de relatos e leva uma vida afastada da família, mantendo um vago contato apenas com a irmã pouco receptiva, Janie (Rachel Keefe), além de um peixinho dourado. Ela é atraída pela indústria de música independente pela imagem de autonomia e autenticidade com a criação de material que esses artistas vendem. Um dia, ouve um disco novo da banda Damn the Witch Siren e fica seduzida pelo som, e especialmente pela dona da voz, Bobbi Kitten, que se apresenta ao lado de Z Wolf, um músico de identidade desconhecida por usar uma máscara de lobo. O que a inspira a investir em seu projeto de podcast, tendo um primeiro contato relevante com Micah (Abdul Seidu), pra então finalmente entrar em contato com Kitten. Sexy e com ar de mistério, a cantora preenche o vazio por atenção de Lennon, que muito interessada começa a se jogar mais nisso. Há uma tensão sexual entre elas, mas sua relação toma um outro rumo.


O roteiro de Noah Dixon traz um jogo de perspectiva: nós seguimos Lennon, ignoramos os pequenos sinais de comportamento suspeito e acreditamos que a conhecemos, para então a partir que a relação dela com Kitten se complica, estarmos diante de uma pessoa diferente, é quando cai a máscara de poser. Em determinado momento é mencionado a Tack Gallery, um antigo abatedouro/fábrica de carne abandonado próximo das linhas de trem que se tornou um salão para eventos de músicos, até um terrível incidente. Uma informação que se torna mais relevante com o decorrer.

O cuidado de som e escolha na trilha sonora de Adam Robl e Shawn Sutta são bem pontuados, que ritmam o avanço narrativo. Kitten e Gates têm bons momentos de química, especialmente uma com mímica. Mas eis o grande problema, na tentativa de ser subversivo, Poser não chega a lugar nenhum em seu desfecho. É um estudo de personagem que sublinha sobre os alertas, mas quando parte para uma mudança radical não parece mais coerente, com menos tempo para se assumir um thriller de obsessão. Como esse cenário de artistas de mindset entediantes e engajados, é falsamente provocativo para explorar dualidades e ações morais negativas.

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Trailer: Triangle of Sadness (2022)

E o novo vencedor da Palma de Ouro, Triangle of Sadness do Ruben Östlund (Força Maior e The Square - A Arte da Discórdia) acaba de ganhar trailer. Com uma divulgação que já provoca (literalmente) reações do que a gente deve conferir no filme. Caótico e REPULSIVO. Como uma mistura de The White Lotus com Le Grand Bouffe (1973)... e oops, depois da frustração tremenda com Crimes do Futuro, quanto menos se esperar e souber de um título badalado pelos franceses, melhor.

2022 em 222 Filmes

Não é possível singularizar o cinema, sendo um vasto campo de linguagem visual e sonora. Pode ser um refúgio, quando não queremos nos inteir...