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quinta-feira, 4 de agosto de 2022

O Telefone Preto (2021)


Eu não lembrava de "O Telefone Preto", o conto presente na antologia "Fantasmas do Século XX" do Joe Hill, embora tivesse certeza que tinha lido, e o relendo entendi porque havia esquecido. O objeto de comunicação fantasmagórico e uma pequena passagem envolvendo a irmã do protagonista eram as únicas coisas que podiam ter ficado na minha memória, se tivessem sido utilizados pra alcançar um impacto ainda maior, o que não acontecia embora fossem elementos que provocassem a imaginação. Depois de quase um ano desde a estréia no Fantastic Fest, a Universal lança em VOD (este texto data originalmente em 14 de Julho) o filme, depois de uma série de adiamentos que já haviam tirado qualquer interesse meu em conferi-lo... E permaneceria assim se não o maldito acaso da oportunidade do momento. 


Ambientado na década de 70, Scott Derrickson, C. Robert Cargill e Joe Hill adaptam o conto preenchendo de bons argumentos em torno do background de Finney (Mason Thames) mas escrevendo-os no roteiro da pior forma possível, no sentido americano de cinema de ser. A relação dele com a irmã, Gwen (Madeleine McGraw), que é uma graça de personagem, é marcada por ter um elo bastante interessante que flerta com o universo mítico do Stephen King, mas que vira um elemento ultra-mega-expositivo aqui. Sendo cheio de coisas explicadinhas demais em torno disso, quando poderia ter sido uma informação explorada menos excessivamente, que toma mais tempo de tela que o mascarado misterioso do Ethan Hawke, que pela capacidade do ator e os ótimos designs das máscaras, poderia torná-lo um novo ícone do terror. 


Mas não é o que vem a ser, enquanto pioram cada vez mais a coisa sobrenatural da história, com uma solução de representação fantasma lamentável, que é repetido de forma abusiva. Poderiam ter dado mais valor a construção cênica mais básica e eficiente de todas: um porão decrépito, um garoto, uma chamada, sons do além e sussurros, mas Derrickson de alguma forma com o passar dos anos desaprendeu a dirigir um filme. Talvez a Marvel seja mesmo capaz de provocar esse tipo de sequela nas pessoas. O pior é que todo o acréscimo narrativo ainda não é útil para contornar o twist ruim que dão continuidade do conto. Jeremy Davies como o pai abusivo, e James Ransone como Max, um desajeitado obcecado com o rastro de desaparecimentos são a verdadeira definição do que ingleses gostam de chamar por "awful" e "messy" atuando, ao contrário do elenco infantil que é bem competente. O melhor momento acaba por ser quando Robin Arellano (Miguel Cazarez Mora) fala com tanto entusiasmo de O Massacre da Serra Elétrica (1974). A cena final que existe pra encerrar uma coisa de representação da construção de herói em cima do garoto no ambiente escolar, não poderia ser mais irritante. E óbvia, boba. Como todo o resto.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Chamas da Vingança (2022)


É sexta-feira 13, o que não quer dizer muito... mas ver filme de horror na data é tradição em todo mundo, mas no meu caso fui ver um horror de filme....

Chamas da Vingança (1984), pode não ter obtido o status de clássico, mas com certeza tem seu lugar na memória daquela época por trazer Drew Barrymore como a garotinha incendiária, em seus primeiros anos de auge do estrelato. Ainda assim quando cogitado um remake, ou nova adaptação, como preferem chamar, pela Universal e Blumhouse não parecia haver motivos suficientes, mesmo que o livro de Stephen King, lançado em 1980, seja um dos seus melhores romances. Passaram cinco anos, e após uma série de trocas de diretores do projeto, que teve incluso até o alemão Fatih Akin, foi entregue no comando de Keith Thomas (do regular The Vigil), e hoje (13/05) foi lançado simultaneamente nos cinemas americanos e no streaming, Peacock.


O roteiro de Scott Teems (Halloween Kills), planejou construir um background maior para o núcleo familiar que envolve Charlie (Ryan Keira Armstrong, a Alma de American Horror Story: Double Feature), nossa heroína telepática. O que parece o ideal de início mas depois de um pouco mais de meia hora para chegarmos a ter alguma ação, a sensação que fica é que o roteiro foi concebido para driblar as limitações pandêmicas, e o resultado é precário...
Como também relatado na versão anterior de Mark L. Lester, Andy (Zac Efron, visivelmente harmonizado) e Victoria (Sydney Lemmon) McGee quando jovens universitários foram voluntários de um experimento onde testaram drogas que causaram sérias alterações, os dando habilidades psíquicas. A vida da garota é cercada pelas precauções dos pais, e ela já tem uma noção de que é portadora de uma "coisa ruim", caso passe por situações de gatilho emocional. 

Aos 11 anos, sua força começa a se demonstrar pouco a pouco incontrolável, a partir de eventos em sua escola desencadeados por seu comportamento. O que desperta a atenção dos responsáveis pelo experimento passado, agora liderado pela Cap Hollister (Gloria Reuben), que dá a ordem para John Rainbird (Michael Greyeyes) capturar Charlie, custe o que custar, colocando todos em perigo. Greyeyes é uma força a parte, como naturalmente sempre foi, o vilão é quem melhor está em tela ao lado de Keira Armstrong, a nova estrela em ascensão e em grande destaque no gênero fantástico desde IT - Parte 2 (2019). Mas não há muito o que apreciar além da boa disposição da dupla, que formam um elo inesperado, que desvirtua ao incluir um teor de revisionismo o que vimos na obra escrita, com um novo desfecho, além da mudança de gênero no personagem de Cap Hollister, originalmente interpretado por Martin Sheen, que acaba não acrescentando muito. Pareço até um boomer ao dizer certa coisa, mas não entenda mal, Gloria Reuben é uma atriz adorável, como bem sabemos desde que interpretou a psicóloga Krista Gordon em Mr. Robot (2015-2019), mas novamente é desperdiçada no cinema aqui pelo guia de pose canastrona imposta na personagem, tão importante e bem apresentado em seu universo literário.

Keith Thomas tinha demonstrado umas habilidades em construção de atmosfera de horror interessantes lá em sua estréia em 2019, com The Vigil, mesmo que fosse aborrecente, mas aqui nada é tão chamativo, nem mesmo para dirigir seus atores ou criar e conduzir a tensão explosiva em volta de Andy e Charlie. Alguns usos de cores na direção de arte até são bons, mas o visual peca muito, parece até mesmo algo produzido na TV pela Lifetime, o que é um pobre investimento para seus 12 milhões declarados no orçamento.

Um momento de pura vergonha alheia acontece envolvendo um gato, que deve ter sido escrito para causar comoção sobre a natureza destrutiva e possivelmente inconsequente da menina, mas o que vemos é uma tentativa sofrível de tentar expressão. E os efeitos com a pirotecnia ah... são os piores para o ano de 2022, quando esperamos uma possível revolução com o 3D sem óculos de Avatar 2, em Dezembro. James Cameron ficaria horrorizado com o uso de CGI que salta aos olhos da pior forma possível sendo defeituoso e parecendo saído de alguma produção C dos anos 2000.


O gore é quase inexistente, com exceção para a demonstração da cena acima, que não irei detalhar, assim como prefiro evitar dizer como funciona a dinâmica com John Beasley no papel de Irv Manders, o caroneiro aleatório que na escrita de King era cativante. Ou comentar sobre o Kurtwood Smith.


Efron já teve melhores dias até o sucesso de O Rei do Show (2017), mas segue com uma sequência lamentável na filmografia após The Beach Bum e a sua frustativa tentativa como Ted Bundy em Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile, ambos lançados em 2019. Há quem diga que seu outro recente, Gold (2022) demonstre que o cara só dá azar de participar dos filmes errados, o que pode estar certo, mas não planejo tentar ver.

Você também pode afirmar que é um erro tentar ver qualquer sequência, reboot ou remake em pleno 2022, o que está certo, mas o que me atraiu para considerar ver este novo Chamas da Vingança, foi a composição da trilha sonora pelo célebre John Carpenter, seu contribuinte Daniel Davies e o filho, Cody Carpenter, que curiosamente nasceu na época do lançamento da versão original, em Maio de 1984. O que me fez pensar que poderia rolar algum valor sentimental pelo filme, mas pensei muito, muito errado. A trilha de Carpenter também não tinha sido uma inclusão significativa em Halloween Kills ano passado. Não há quase nada aproveitável por aqui, e Thomas está confiante de criar uma franquia mais tarde. O que esperemos que não aconteça e novamente surja uma nova franquia ruim, com desenvolvimento desconexo das fontes de King, como acontecia tão facilmente antigamente.

2022 em 222 Filmes

Não é possível singularizar o cinema, sendo um vasto campo de linguagem visual e sonora. Pode ser um refúgio, quando não queremos nos inteir...